Tornar-se anfitrião Airbnb, porquê e como?
Publicado a 22 fevereiro 2018 · atualizado em 2021
maj: 2021

(Este artigo foi publicado em 2018 no pingoo.com, e depois ligeiramente atualizado em 2021)
Há bastantes vantagens em viver em Montpellier, o clima, a cidade, a praia, a montanha, as pessoas, tudo isso... mas também e sobretudo as rendas! Com um quarto a mais pela mesma renda que em Paris, debrucei-me a sério sobre a ideia de o propor pontualmente no Airbnb. Há já algum tempo que recebo regularmente desconhecidos em minha casa, e tiro daí um balanço muito positivo.
Vou tentar falar-vos disso o mais simplesmente possível, falando dos aspetos positivos, das obrigações, e depois dando-vos alguns conselhos.
É remunerador. No meu caso, se alugasse o segundo quarto do meu apartamento todas as noites, pagaria sem qualquer problema 3/4 da renda. Consoante a vossa situação fiscal, pode fazer subir um pouco os vossos impostos também, mas em todo o caso continua a ser rentável. Se alugarem um apartamento inteiro, a autorização do senhorio é preferível; se alugarem só um quarto, não é necessária.
Desenrasca as pessoas, imensas. Vivo numa cidade onde a oferta hoteleira é bastante fraca e cara. Muita gente está só de passagem e fica bem contente por poder ter um quarto a menor custo, em particular estudantes. Com o grande interesse de poderem usar todas as divisões, incluindo a cozinha para cozinhar o que quiserem sem ir ao restaurante.
Conhece-se imensa gente nova! É uma ótima maneira de socializar, comunica-se com viajantes de todas as nacionalidades, idades e condições, e por vezes permite fazer encontros giros. Raramente estive pouco à vontade com as pessoas que fui recebendo.
Melhora-se o inglês. Caramba, nem imaginam até que ponto. Obrigar-se a falar inglês de vez em quando, quando os vossos convidados são estrangeiros, é mesmo fixe.
E imensas outras coisas, diverte os gatos, obriga a manter o apartamento e a fazer limpeza regularmente, etc.
- E por vezes é chato
– Porque às vezes não apetece ter gente em casa e apetece só ficar sossegado. – Porque acontece as pessoas serem barulhentas (a coisa sobre os espanhóis não é lenda). – Porque alguns viajantes são chatos.
Fora estes poucos detalhes, honestamente é giro de fazer. É preciso dar o passo e vencer um pouco a timidez natural que se tem à ideia de receber gente em casa. Passada a primeira vez, ganha-se o hábito, mostra-se a casa, explica-se o apartamento e, no fim, deixa-se as pessoas viver a sua vida no apartamento, e é fixe.
Se têm um quarto que não usam, podem alugá-lo, ou até alugar todo o apartamento quando vão de férias, por exemplo. O Airbnb propõe bastante segurança para evitar que gente estranha vá a vossa casa, além de alguns seguros em caso de problema. São vocês próprios a fixar os preços, e o Airbnb pode até sugerir-vos alguns que se colam ao mercado. Podem alugar uns dias, todos os dias, tanto faz, tudo é configurável ao infinito e mesmo securizante. Uma vez lançados, vão ver que a coisa roda sozinha e de forma bastante natural, com, além disso, algo de bastante lúdico em receber notas e comentários positivos sobre o vosso acolhimento.
- Como se faz para ser um bom anfitrião Airbnb?
Para ser muito honesto, a maioria das boas práticas para ter boas notas no Airbnb são, para mim, do domínio do bom senso. Agora, é forçoso constatar que muita gente tem notas de treta, por isso o bom senso não funciona para toda a gente! Vou então começar por vos descrever um pouco o meu alojamento, os seus pontos fortes e fracos, e depois explicar-vos como otimizo tudo isso!
Tenho um apartamento relativamente grande, de 95m2, no centro de Montpellier, situado entre a estação e a place de la Comédie, dificilmente se pode fazer mais prático. Está bem organizado e tenho um quarto de hóspedes, é esse que alugo de vez em quando no Airbnb. Uma casa de banho, uns sanitários, e pronto. Tem, no entanto, alguns grandes pontos fracos: o primeiro é a vetustez do prédio e de certas partes do apartamento, tipicamente as torneiras são velhas e estragadas, a banheira tem 5000 anos e tem, portanto, umas marcas velhas demasiado feias que dão um ar «sujo», e há muito barulho na rua (bares e outros punks com cães). Há também dois gatos chatos no apartamento, isso não ajuda.
O acolhimento Primeira coisa, ser flexível nos horários de chegada dos vossos viajantes. Se vocês próprios têm horários um bocado rígidos, façam por ter alguém, um amigo ou um comerciante, que possa dar as chaves do vosso alojamento aos vossos visitantes na vossa ausência. Sejam claros nesses pontos e tranquilizem sempre os viajantes desde as primeiras trocas. À chegada, façam por lhes mostrar todo o apartamento, relembrar-lhes as regras e usos, e mostrar-lhes tudo o que conta (máquina de café, sanitários, etc.) Deixo sempre toalhas de banho aos convidados, além de uma garrafa de água e uns rebuçados no quarto, estilo Uber! E ficam bastante contentes com isso. Logo lhes pergunto se querem que lhes aconselhe sítios para visitar, restaurantes, etc. Também lhes proponho um mapa da cidade (recolhidos no posto de turismo). Deixo também no quarto alguns jornais, incluindo imprensa local. Deixei também um pequeno livro turístico sobre Montpellier.
Ainda no quarto, há tudo o que é preciso para carregar qualquer tipo de telefone, uma televisão com Netflix (obrigado, Apple TV ligada a ela) e uma caixa cheia de tampões para os ouvidos, para fazer passar a pílula do barulho lá fora (e dos gatos que miam à noite). É importante resolver logo os «problemas» ligados ao apartamento mal os vossos hóspedes chegam, tranquiliza-os. Tipicamente, ao mostrar a casa de banho aos visitantes, mostro-lhes logo a banheira, explicando-lhes que não, não está suja, mas que é velha. Elimino logo o problema. O mesmo para os gatos, falo-lhes do pior, ou seja, o gato que mia à noite e faz confusão; ao menos, se o gato for porreiro, o viajante ficará contente.
O apartamento em geral Deve estar limpo, mas tipo impecável, todos os dias. Faço, portanto, uma limpeza diária. O pó, o aspirador, os pelos de gato, etc. Está sempre tudo limpo. Se UMA coisa estiver suja, o vosso visitante vê logo e dá-vos uma má nota. Também é preciso que esteja bastante bem decorado, evidentemente, bem equipado, e relativamente neutro. A neutralidade passa sobretudo pela arrumação: se tudo estiver no seu lugar, então corre bem. Se deixam as vossas coisas do dia a dia espalhadas por todo o lado (roupa, um saco de compras, ou outra coisa), está tudo perdido. Por isso arrumo tudo, o tempo todo. Admito ser bastante maníaco, por isso ajuda.
No mesmo género, evita-se deixar sabonetes velhos na casa de banho, esvazia-se o lixo regularmente, limpa-se a caixa de areia dos gatos todos os dias, escovam-se os gatos regularmente. ENFIM, É-SE ASSEADO.
Cuida-se do equipamento posto à disposição dos viajantes, muitos pedem um ferro de engomar ou um secador de cabelo, é preciso ter isso à disposição por perto. O site Airbnb permite listar os equipamentos de base que farão passar uma boa estadia aos vossos visitantes. Tenho tendência a dizer aos viajantes que podem usar absolutamente tudo, seja na cozinha, no frigorífico, na casa de banho, os produtos de banho ou a comida, está tudo aberto. Na prática ninguém abusa, por isso não custa nada propô-lo.
Tentem também ter uma ligação à Internet aceitável, com o Wi-Fi bem indicado no quarto que alugam. Bom, no meu caso é um ADSL todo lento, mas também aí o anuncio logo, para não haver surpresas.
Pronto, visto assim parece mesmo que é uma coisa ultra exigente, mas na realidade é mesmo bom senso. Ponham-se no lugar dos viajantes e vão logo perceber o que conta, ou o que conta menos.
Por Paingout


